"Fiquei insegura mas, ao mesmo tempo que tudo parecia loucura, também me senti atraída pela situação que tipo de homem tem essa tara? Não sei... Tive clientes jovens e velhos, bonitos e feios, mas todos pareciam normais"Conheci Mike em março de 2005 em Loz Angeles. Não demorou pra percebermos um monte de afinidades e uma atração forte que acabou se transformando em namoro. Estavamos apaixonados e queriamos morar juntos. A ideia de morar com meu namorado nos Estados Unidos e de experimentar uma outra vida me pareceu a melhor coisa do mundo! Mas o problema era o dinheiro. Mike não tinha condição de me incluir no seu orçamento, e eu não via como nem onde poderia trabalhar pra me sustentar em Los Angeles pq eu so estudava e meu pai que pagava meus estudos, além do mais eu estava insatisfeita com meu estágio.
Enfim.. Com nosso pouco dinheiro e dois anos depois de estarmos juntos fomos pra Hong Kong e la Mike me contou que, anos antes de me conhecer, tinha 'atuado' em dois ou três vídeos produzidos especialmente para sites gays... Disse que essa 'atuação' tinha se limitado em poucas cenas de masturbação solitária e fez questão de afirmar que não tinha o menor problema com essa história. Para ele, aquelas experiências não significavam nada, tinha sido só um jeito fácil de ganhar dinheiro. O modo como ele conduziu esse assunto foi tão natural que não fiquei chocada. Um pouco surpresa, talvez, mas não me assustei nem mesmo quando Mike propôs que fizéssemos uma loucura desse tipo pra tentar ganhar algum dinheiro. Foi dele a ideia de oferecermos um show de sexo ao vivo para uma pequena plateia, no máximo um casal, disposto a pagar pelo nosso espetáculo. Não sou nenhuma puritana, mas nunca tinha feito nada do gênero! Mesmo assim, não hesitei. Tinha a maior confiança nele! Além do mais, eu estava do outro lado do mundo, onde ninguém me conhecia e não ia fazer nada de errado, só transaria com meu namorado na frente de estranhos.
Os interessados apareceram no mesmo dia em que colocamos o anúncio num classificado online. Fizemos nosso primeiro show para um americano de uns 30 anos que morava e trabalhava em Hong Kong. Ele nos pagou o que cobramos US$ 100, quantia que, logo depois, descobrimos ser baixíssima pra esse tipo de coisa! Enfim... O cara pagou uma suíte num hotel cinco estrelas e ficou assistindo quietinho, quase invisível, enquanto fazíamos amor. Não fiquei envergonhada nem constrangida, o clima me deixou excitada... Sei que, depois dessa 'estreia', me empolguei.
Nosso segundo show foi para um casal. Resolvemos cobrar mais e deu certo. Eles pagaram os US$ 250 que pedimos e também a suíte de um hotel caríssimo. Acho que aquele foi o quarto mais chique em que dormi na vida! Foi uma experiência incrível porque transamos quase no escuro total, parece que a mulher não curtiu a 'invenção' do marido... Sei que o casal foi logo embora e passamos o resto da noite curtindo naquele superquarto! Depois disso, o desejo de viver com Mike ficou ainda mais forte. Voltamos para Los Angeles e eu resvolvi dar aulas de português pra ganhar dinheiro. O fato é que, o sucesso da minha performance na China tinha me deixado tão animada pra tentar algo na mesma linha... De novo, foi o Mike quem teve a ideia, lembrando da experiência de uma amiga que tinha lucrado bastante 'trabalhando' de um jeito nada convencional... Era uma coisa bem fetichista: vender calcinhas usadas! Segundo essa amiga, uma única calcinha podia valer até US$ 60! Quando o Mike me disse que uma calcinha normal custava no máximo US$ 15, e que esses encontros duravam menos de meia hora, revi meu projeto das aulas de português, que me renderiam US$ 30 a hora, isto é, se eu conseguisse alunos!
Coloquei um anúncio similar aos que vimos no site e combinamos que o Mike me seguiria pra que eu me sentisse mais segura. Afinal, uma parte de mim achava tudo aquilo uma loucura, mas, por outro lado, algo naquela história toda me atraía... Postei um anúncio e choveram clientes!
Escolhi um deles meio na sorte e fui, com o Mike atrás de mim, mantendo uma distância segura de uns 100 metros... Nesse primeiro encontro, combinei com o cara num café Starbucks, onde logo descobri que eu não era a única vendedora de calcinhas. Ainda caloura, entrei no café vestindo a calcinha que iria vender. O cara usava uma camisa azul-clara, como tínhamos combinado por e-mail, e já estava sentado numa mesa. Devia ter uns 50 anos, era meio careca, usava óculos e tinha jeito de professor. Olhou direto pra mim. Mike entrou depois de uns minutos e sentou na lateral do balcão, de forma a ficar bem de frente pra mim... O cara puxou conversa, e como ele havia pedido antes do encontro, por e-mail, eu teria que dar um jeito de mostrar que, de fato, estava usando a calcinha. Então, encenamos o combinado. Ele 'deixou' o guardanapo cair no chão e checou seu objeto de desejo. Depois de algumas vezes, descobri que nem todos os homens faziam questão de conferir isso, a grande maioria simplesmente confiava porque, como fiquei sabendo mais tarde, a garota que enganasse o cliente, que não vendesse a peça que estava usando, e fosse pega, ficava simplesmente queimada entre os fetichistas, um grupo não tão pequeno, mas que frequentava os mesmos fóruns e clubes online.
Depois que o 'professor' viu a calcinha, levantei e fui ao banheiro tirá-la. Voltei com uma sacolinha que dei a ele, discretamente. Instantes depois, ele pediu a conta, pagou e me deu os US$ 60 e saiu sem olhar pra trás. Simples assim! Mike bateu palmas e comemoramos minha estreia gastando toda a grana num jantar divino!
Depois dessa primeira vez, relaxei. Vi que não tinha perigo nessa brincadeira. Por mais que eu pudesse estar sentada com um tarado, estávamos num lugar público, num meio de tarde ou à noite, mas com gente em volta. Por isso, Mike logo parou de me acompanhar. Nos primeiros encontros, era capaz de passar até 40 minutos conversando com o cara pra derependte ele virar cliente... Mas logo percebi que não precisava disso tudo. Não faltavam clientes e era melhor mesmo que o lance fosse o mais anônimo possível. Em pouco tempo, percebi que dava pra resolver a história em 15 minutos! Não sei quantas calcinhas vendi nos seis meses que passei em LA, nunca contei, mas foram muitas. Também tive algumas experiências engraçadas e fui ficando mais esperta. Isso porque, nas negociações prévias, eu tentava descobrir quanto o cara estava disposto a pagar perguntando: 'Quanto você acha que é justo?'. A maioria falava em US$ 60 a US$ 80, mas os mais ricos ou inexperientes ofereciam de US$ 100 a US$ 120.
No início, chegavam muitas propostas de sexo no e-mail do site onde eu anunciava. Então resolvi deixar bem claro no próprio anúncio que eu não oferecia sexo de forma alguma. Acho que, por isso, todos os meus encontros foram tranquilos, exceto em duas ocasiões diferentes, em que aconteceu a mesma coisa -os caras ficaram tentando me convencer a transar, ir pra um motel.. Nas duas vezes, não me apavorei. Disse que não estava interessada, levantei e fui embora. Meus pais nunca desconfiaram de nada. Para todos os efeitos, eu estava vivendo com Mike, o que era verdade, e me sustentava com as aulas de português... Só contei sobre essas aventuras para alguns amigos íntimos, que perguntavam quase sempre a mesma coisa, se esses caras eram pervertidos ou maníacos... Não posso jurar, mas os homens com quem tive contato não pareciam ser. Acho que eram homens muito carentes, solitários.. Sei lá, acho que não dá para estabelecer um padrão. Quando me perguntam: 'Que tipo de homem tem essa tara?', não sei dizer porque vendi calcinhas pra homens de todo tipo, dos 20 aos 60 anos, bonitos, feios, altos, baixos... E todos pareciam normais. Claro que também apareceram uns sujeitos bizarros. Certa vez, um cara escreveu no e-mail que não estava interessado na calcinha, mas queria um copo de xixi. Não tive medo, só vi nesse estranho pedido uma chance de ganhar mais dinheiro, e topei. Marquei no Starbucks, como de costume, e no dia lá fui eu para o banheiro encher o copão de café pra viagem com... xixi. Entreguei o copo cheio pra ele, pensando em como era fácil ganhar US$ 200, a quantia que eu tinha pedido. Mas me enganei. Começamos a conversar enquanto esperava meu pagamento, e ele tinha uma cara ótima, a conversa era boa, só que, de repente, enquanto falávamos de coisas banais, o cara abriu a tampinha e começou a beber o meu xixi! Fiquei sem reação. Aquilo foi horrível! Ele percebeu que fiquei mal, perguntou se eu me importava. Neguei, mas realmente fiquei chocada.
Mike não me acompanhava mais, mas sabia quando eu tinha uma venda agendada, em qual Starbucks seria e a que horas a transação aconteceria. Depois de algum tempo, incrementamos nossa renda com os shows de sexo, no mesmo estilo dos que havíamos feito em Hong Kong. Não sei se essa experiência influenciou, mas o fato é que minha história com Mike foi mudando ao longo dos meses e viramos amigos, amigos que transam, e continuamos transando muito bem. Mas a paixão acabou. Nem sei dizer se fui eu, ele ou nós dois. Não me dei conta, mas acho que acabei me envolvendo demais com essa 'atividade', tomei gosto pela coisa! Eu não virei uma prostituta profissional nem viveria de pornografia, mas aprendi muitas coisas e, mais que tudo, fiquei curiosa com relação ao que move as pessoas sexualmente, aos motivos que provocam essas taras... Reconheço que o meu próprio interesse, em certas situações, despertou essa curiosidade. O tipo de excitação que tomou conta de mim nas vezes em que me expus fazendo sexo com Mike, e o tesão que, confesso, senti por alguns dos homens pra quem vendi minha calcinha... Nunca rolou nada, mas não posso dizer que não fantasiei... A verdade é que, a partir de certo ponto, continuei não só por causa do dinheiro, mas também porque queria investigar esse lado meio obscuro do nosso desejo... Venho pesquisando sobre o tema há alguns meses, há muitos estudos a respeito desses fetiches, e continuo estudando. Mas agora, só na teoria, pois a pesquisa de campo, bem, essa eu encerrei definitivamente no meu último encontro no Starbucks.'